quarta-feira, 27 de novembro de 2002


O Estado de São Paulo: O júri do 3.º Prêmio Cultural Sergio Motta, formado por Ana Tavares, Christine Mello, Giselle Beiguelman, Hermano Vianna, Lara Pinheiro, Tadeu Chiarelli, Adriano e Fernando Guimarães, elegeu os 29 trabalhos que concorrerão nesta edição. O júri também anunciou que Walter Zanini é o vencedor na modalidade Hors Concours por sua atuação como incentivador da arte contemporânea e pelo conjunto de sua obra. Já entre os 29 selecionados, concorrem na categoria trabalhos já realizados: Albano Afonso; Amilcar Packer; André Vallias & Nurimar Falci; Grupo Fêmur; Chico Correa; Daniela Kutschat e Rejani Cantoni; Flo Menezes; Gustavo Rezende; Rafael Marchetti; Lali Krotoszynski; Lúcia Leão; Mario Ramiro; Milton Marques; Grupo PexbaA; Ricardo Carioba; e Rosângela Rennó. Para a categoria bolsas estímulos - de projetos a serem desenvolvidos- foram indicados Domitilia Coelho; Dora Longo Bahia; Grupo Casa Blindada; Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos; Helga Stein; Lívio Tratenberg; Lucas Bambozzi; Grupo Libélulas.org; Lívia Flores; Mabe Bethônico; Patrícia Moran; Inês Cardoso e Lucila Meirelles; Priscila Arantes; e Rodolfo Caesar. Os vencedores foram anunciados dia 26 de novembro, na Sala São Paulo. Os prêmios serão de R$ 20 mil para cada um dos três na categoria trabalhos realizados; R$ 15 mil para cada uma das quatro bolsas de estímulo; e R$ 20 mil para o Hors Concours. 

Sérgio Kulpas: Reino de Prata, fitas prateadas de zeros e uns. Ares e cocares de Duque de Duralumínio, com sua cota de malha disfarçada de terno Armani, o peito encolhido e a barriga estufada. Ele se finge de epífita, para falar a verdade. O Duque faz de conta que que tem raízes aéreas e tal, e sua flor até que é cheirosinha. Mas enfia suas gavinhas afiadas no lenho alheio. O Duque de Duralumínio ameaça a Terra de Prata e tem um assecla, um capanga flexível chamado Plástico. Ele estica o pé e dá rasteira no escuro dos corredores, onde a luz da Terra de Prata nunca brilha.

O jornalista Sérgio Kulpas não foi, mas teve um insight do evento, cuja supervisão técnica, desde sua conceituação até a demarcação das categorias, é de responsabilidade da experiente Daniela Bousso. O meio artístico já é complicado. Se houver a inserção do elemento TECNOLOGIA então... Mas tudo é perdoável. Afinal, todos querem ser felizes, como lembrou Bia Lessa numa de suas entrevistas sobre o CLARO EXPLÍCITO. Uma coisa digna de nota sobre o Prêmio Sérgio Motta: nenhum dos contemplados que subiu ao palco conseguiu definir precisamente a essência de seu trabalho. "Arte, tecnologia e afasia", brincou André Vallias. Ou para citar Foster: o artista pós-moderno é hoje mais um manipulador de códigos visuais, signos sociais e imagens da mídia do que um produtor de objetos raros. Bem, de qualquer maneira, o trabalho de Vallias e Nurimar Falci sobre o filósofo francês Edgar Morin é, na minha modestíssima opinião, o mais consistente. Vallias criou, para a unidade virtual do SESC SP, um labirinto cúbico de 64 temas, que podem ser comentados pelos leitores. A prova dos nove da qualidade dessa "hipertrama virtual" é a declaração do próprio Morin: Agora, diferentemente de Dorian Gray, de Oscar Wilde, posso envelhecer em paz pois a minha obra vai se rejuvencer para sempre na Internet.
12:04:08 PM